O que podemos aprender com o bloqueio (e desbloqueio) do WhatsApp no Brasil

Durante 12 horas, o Brasil viveu um (curto) período histórico. O WhatsApp, aplicativo mais usado no país, com 93% de adesão dos internautas, como mostrou pesquisa da Conecta/Ibope (veja gráfico abaixo), ficou fora do ar devido a uma ordem judicial. Segundo reportagem do TecMundo (e de outros grandes veículos de comunicação), o Facebook, empresa proprietária do “querido Zap Zap”, se recusou a liberar informações de usuários do aplicativo que seriam ligadas a um acusado envolvido em um processo criminal. Por isso, o juiz da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo ordenou que as operadoras de telecomunicação bloqueassem o serviço por 48 horas em todo o território nacional, a partir de 0h desta sexta-feira (17). Cerca de 12 horas depois, um desembargador de São Paulo determinou que o bloqueio fosse interrompido.

Sem entrar na discussão de que o bloqueio foi certo ou não, levantamos aqui alguns pontos de reflexão sobre as doze horas em que o Brasil ficou “isolado do mundo”, como disse Jan Koum, criador do WhatsApp.

1. A nossa sobrevivência parece depender da internet

Durante 12 horas, o Brasil só teve um assunto: WhatsApp. Fatos de grande importância como crise política e econômica, processo de impeachmeant e outros foram deixados de lado e um novo debate começou. Alguns ficaram perplexos (inclusive Mark Zuckerberg, que ficou espantado e se manifestou sobre o assunto) com o bloqueio, outros defenderam a atitude do juiz que emitiu a ordem, muitos fizeram piadas ou apresentaram alguma opinião sobre o fato. E qual foi o principal meio para tantas manifestações? A própria internet. Se para alguns, o WhatsApp é a única ou principal ferramenta para conexão, para a maioria, o aplicativo é apenas mais um dentre tantos. Ou seja, estamos realmente muito conectados.

2. Ferramentas digitais são úteis e devem aproximar e facilitar processos, mas não fazer tudo sempre

Ficou muito claro que depender de apenas uma plataforma ou ferramenta é bem arriscado, não é mesmo? Quem usa o WhatsApp como ferramenta de trabalho encontrou problemas para conversar com clientes; já quem se comunica com a família e amigos apenas pelo aplicativo viu uma barreira na comunicação de causar desespero. E a reflexão pode se estender para outros recursos tecnológicos que usamos no dia a dia. Usamos com sabedoria ou estamos nos tornando perigosamente dependentes?

3. O WhatsApp pode ter feito falta, mas não significou o nosso fim

Horas antes do WhatsApp sair do ar, várias alternativas de ferramentas semelhantes e soluções como VPN alternativo começaram a ser compartilhadas na redes sociais. Todos temiam um bloqueio de 48 horas, mas, em resumo, dormimos com o aplicativo funcionando, acordamos, ficamos algumas horas sem ele e, doze horas depois, tudo voltou ao normal.

A maior parte de nossas vidas foi sem WhatsApp. A angústia de ficar sem ele prova que a tecnologia nos convence de que não podemos mais viver sem algo que nem existia há tão pouco tempo. Durante as doze horas em que o aplicativo ficou inativo, aconteceu algo realmente grave por causa disso?

E o que as marcas e empresas têm a ver com isso?

A pesquisa do Ibope e mobilização em torno do bloqueio do WhatsApp mostram que estar conectado em tempo real é de extrema importância. O senso de urgência que surgiu diante da hipótese de ficar sem o aplicativo por dois dias é um bom exemplo de que o comportamento das pessoas mudou nos últimos anos. Por isso, deixar a sua marca distante do ambiente digital pode ser um risco de perder a conexão e contato com clientes e potenciais. Alternativas não faltam: site, blogs e redes sociais, principalmente através de plataformas móveis, vão alcançar pessoas que não fazem quase nada sem o celular na mão.

E você, acha que temos uma dependência exagerada da tecnologia? Comente!

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